“Insulto racista de Coentrão? Parece, mas o que parece não é suficiente”

O antigo árbitro de futebol esclareceu, ao Desporto ao Minuto, o lance entre Fábio Coentrão e Marega. Marco Ferreira falou ainda de o facto de Nélson Pereira estar atrás da baliza de Rui Patrício durante a marcação das grandes penalidades.

meia-final da Taça da Liga, entre Sporting e FC Porto – que terminou com uma vitória dos leões decidida nas grandes penalidades -, ficou marcada por alguns lances polémicos. Entre eles está o caso com Fábio Coentrão e Marega, a cerca de quinze minutos dos 90′.

Na sequência de uma falta, Coentrão terá proferido comentários racistas, o que terá levado Marega a colocar-lhe a mão no pescoço. Os jogadores foram punidos com um cartão amarelo cada um, que serviu para “apaziguar os ânimos”. Mas terá sido a decisão mais correta? Deveriam ter visto a cartolina vermelha? Marco Ferreira, antigo árbitro, analisou o referido lance, em declarações ao Desporto ao Minuto.

“Num jogo com aquela intensidade, é difícil o árbitro identificar todas as situações até porque, na altura em que Marega coloca a mão no pescoço do Coentrão, o árbitro está de costas. Poderiam os assistentes, quarto árbitro ou VAR intervir, se entendessem que era uma situação para expulsão. Não entenderam e eu também acho que não era”, começou por dizer.

“A situação do Marega com a mão no pescoço do Coentrão não é uma agressão, até porque não conseguimos medir a intensidade daquele gesto. É um comportamento antidesportivo e foi punido como tal, com um cartão amarelo. Nessa situação, Nuno Almeida agiu bem, puniu respeitando as leis de jogo. Depois do jogo, a comunicação social e os diretores de comunicação – com a atividade que têm, muito intensa ao longo da semana, – fizeram desse lance um caso”, analisou

Sobre Fábio Coentrão e os alegados comentários racistas, Marco Ferreira alertou para a importância de não se “condenar na praça pública” um jogador por algo que não se “tem a certeza se aconteceu ou não”.

“Insulto racista? Parece, mas o parece não é suficiente para haver punição. Se tivesse acontecido uma situação de insulto racista, e se o árbitro tivesse presenciado, teria de agir conforme a lei. Mas não sabemos o que aconteceu e não podemos estar a condenar jogadores na praça pública por meras suposições. Temos de ter esse cuidado, porque acusar um jogador de racismo é muito grave”, avisou

“Era preferível Nélson Pereira  não estar ali? Era”

Mas os ‘casos’ não ficaram por aqui. Com a vitória a ser adiada para as grandes penalidades, houve mais um ‘tema’ que tem estado na ordem do dia. Durante a marcação dos penáltis, Nelson Pereira – treinador de guarda-redes do Sporting – estava atrás da baliza de Rui Patrício. Uma situação que foi ‘alertada’ por Francisco J. Marques, após o duelo, através das redes sociais.




“O que a lei diz é que um treinador adjunto poderá estar naquela zona, durante o jogo, para ministrar o aquecimento dos jogadores. A única limitação que existe, realmente, é o facto de não poder dar indicações para o terreno de jogo. Porém, não sabemos se o Nélson as deu ou não, não é percetível. Existiu alguma influência? Houve alguma indicação? Atrapalhou a marcação das grandes penalidades? Não creio. Era preferível não estar ali? Era. Mas daí até ser punido é um longo caminho a percorrer”, explicou, aproveitando para indicar aquela que devia ter sido a medida tomada pela equipa de arbitragem.

 “A área técnica é estendida, não só ao banco técnico mas também à zona do aquecimento dos jogadores, que é por trás do assistente número 1 – se houver espaço -, ou por trás da sua baliza – onde está o seu guarda-redes, neste caso, onde estava o Nélson Pereira. A equipa de arbitragem deveria estar atenta a esta situação e, para evitar este tipo de casos, deveria ter retirado dali o técnico. No entanto, mesmo se for apresentada uma queixa, nada vai influenciar o resultado do jogo. Poderá apenas evitar que, em futuras situações, possa repetir-se”, finalizou.
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